Este material, intitulado “História e Poesia Afro-brasileira: reterritorialização
do/a negro/a no espaço escolar” chega à escola como um subsídio didático, que
escolhe permear-se por um pensamento não necessariamente linear e cronológico.
Os subtítulos que o compõe se apresentam entrelaçados e tal como um tecido
onde uma parte implica a outra, são dispostos sem numeração. São quatro partes
que correspondem a três diferentes movimentos. Estes pretendem fazer funcionar
uma espécie de terapêutica onde a história do negro no Brasil ao passar a ser
tratada sob o deslocamento poético das letras de capoeira passa a permitir outra
compreensão ou outra perspectiva. Logo, num processo múltiplo e temporalmente
único, move-se um singular que faz uma territorialização da história oficial - Brasil
Colônia e Brasil Império; e esse desencadeia uma desterritorialização – ou
deslocamento da concepção que se possui do negro/a no espaço escolar; horizonte
que, um trabalho com a história afeta e é afetado numa série, pelas Oficinas – de
poesia capoeirana. Os blocos poéticos vão fazer a reterritorialização ou a
recontarão.
Por fim, tem se algumas conclusões extemporâneas. A opção de nomeá-lo e
o recortá-lo em momentos se faz para diretamente oferecer conceitos e temas, que
vindos da filosofia contribuirão para que a história atualize os seus conteúdos para
emancipação de uma cultura histórica.
Os conceitos de territorializaçao, desteritorializção e reterritorialização são
trazidos da filosofia deleuziana e perfazem mapas invisíveis inspirando
subjetividades. Estas funcionam como mapas mentais e mostram numa analogia a
história como processo de construção de uma figura do/a negro/a que vem da
tradição. Tal representação compõe um patamar subjetivo que refere ao ambiente
escolar.
Este plano que se reproduz por múltiplas ações e conteúdos que ministrados
no ensino básico da história, tem elegido um feitio do/a negro/a que neste trabalho
pretende ser desconstruído/a para ser reformulado. O/a negro/a na escola tem sido
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abordado/a como figura que não imprime resistência ao pensamento e a cultura da
branquidade, entendido como qualidade de branco.
A História oficial demanda uma territorialização quando apresenta, no Brasil
Colônia e no Brasil Império, o/a negro/a situado enquanto personagem
desqualificado. Tal configuração, remonta uma subjetividade que se coaduna com
um tipo habilitado a exercer apenas atividades braçais. Também lhe é imposta a
preguiça intelectual e outras crendices ou praticas pagãs, de pertença à vida de
vadios, a malandragem e ao banditismo.
As oficinas de capoeira pretendem mover este cenário quando trazem para
escola uma contribuição da cultura afro-brasileira. Ação que implica criar no/a jovem
uma disposição ou simpatia que o/a tenciona ao encontro de outra perspectiva para
relacionar-se com a memória cultural deste povo. Espera-se com as poesias, as
letras e as musicas de capoeira, mover todo um campo subjetivo que composto, na
escola, por vários elementos que vindos da tradição, impedem um trabalho criativo
na sala de aula. Impossibilita que se incluam outras culturas, num exercício da
diferença. Faz assim, necessário deslocar tais arranjos que trazem a cultura afrobrasileira agrilhoada a um passado que convém deslocar.
Logo, o conceito de desterritorialização vem de encontro ao desejo de
movimentar novos elementos em prol da utilização de instrumentos culturais na
escola para uma reterritorialização da cultura afro-brasileira. A ideia é alterar as
consciências dos coletivos que habitam a escola. Agrandar o papel do o/a negro/a
na escola, desvinculando-o do caráter submisso quando ganha outras forma ou
perfil através da poesia capoeirana. A poesia será por excelência, neste contexto, o
elemento provocador de outro território subjetivo no qual a história dá espaço a arte
para ser recriada.
Quer este trabalho inspirar os/as professores/as e os/as estudantes/as a
buscarem movimentos ou deslocamentos para elucidação de um pensamento da
diferença. Este material tem como objetivo usar a letra-poesia de capoeira como
instrumento, ao aportar novos elementos de reterritorialização para re-construção da
figura do/a negro/a, refaz os lugares que antes pertenciam a ele na história. Traz
para este efeito o método de utilização de oficinas de poesia afro-brasileira.
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Temporariamente concluindo, esse material cria uma estética própria no seu
interior, que tenta dar vazão aquilo que problematiza como diferença: a cultura
negra! Para alcançar seu ideal utiliza os textos de feitios curtos, ilustrados com
figuras e acompanhado do CD: AMADOR. Este último se faz de uma composição
musical (faixa1) e de uma recitação de um poema (faixa2). Sendo esta unidade
didática mais um movimento na inclusão do negro/a no espaço escolar.
Ver/ler anexos:
Produção Didático Pedagógica , 2010.
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2010/2010_ufpr_hist_pdp_dalton_luiz_gandin.pdf
Video: Por um Axé do CD AMADOR - Faixa 1
https://www.youtube.com/watch?v=s62Yux_uw04
Video: Negro Capoeira - Faixa 2
https://www.youtube.com/watch?v=cVZfCI00y0s