segunda-feira, 4 de novembro de 2019

História e poesia afro - brasileira: reterritorialização do/a negro/a no espaço escolar

História e poesia afro - brasileira: reterritorialização do/a negro/a no espaço escolar

Este material, intitulado “História e Poesia Afro-brasileira: reterritorialização do/a negro/a no espaço escolar” chega à escola como um subsídio didático, que escolhe permear-se por um pensamento não necessariamente linear e cronológico. 

Os subtítulos que o compõe se apresentam entrelaçados e tal como um tecido onde uma parte implica a outra, são dispostos sem numeração. São quatro partes que correspondem a três diferentes movimentos. Estes pretendem fazer funcionar uma espécie de terapêutica onde a história do negro no Brasil ao passar a ser tratada sob o deslocamento poético das letras de capoeira passa a permitir outra compreensão ou outra perspectiva. Logo, num processo múltiplo e temporalmente único, move-se um singular que faz uma territorialização da história oficial - Brasil Colônia e Brasil Império; e esse desencadeia uma desterritorialização – ou deslocamento da concepção que se possui do negro/a no espaço escolar; horizonte que, um trabalho com a história afeta e é afetado numa série, pelas Oficinas – de poesia capoeirana. Os blocos poéticos vão fazer a reterritorialização ou a recontarão. 

Por fim, tem se algumas conclusões extemporâneas. A opção de nomeá-lo e o recortá-lo em momentos se faz para diretamente oferecer conceitos e temas, que vindos da filosofia contribuirão para que a história atualize os seus conteúdos para emancipação de uma cultura histórica. 

Os conceitos de territorializaçao, desteritorializção e reterritorialização são trazidos da filosofia deleuziana e perfazem mapas invisíveis inspirando subjetividades. Estas funcionam como mapas mentais e mostram numa analogia a história como processo de construção de uma figura do/a negro/a que vem da tradição. Tal representação compõe um patamar subjetivo que refere ao ambiente escolar.

Este plano que se reproduz por múltiplas ações e conteúdos que ministrados no ensino básico da história, tem elegido um feitio do/a negro/a que neste trabalho pretende ser desconstruído/a para ser reformulado. O/a negro/a na escola tem sido - 6 - 6 abordado/a como figura que não imprime resistência ao pensamento e a cultura da branquidade, entendido como qualidade de branco. 

A História oficial demanda uma territorialização quando apresenta, no Brasil Colônia e no Brasil Império, o/a negro/a situado enquanto personagem desqualificado. Tal configuração, remonta uma subjetividade que se coaduna com um tipo habilitado a exercer apenas atividades braçais. Também lhe é imposta a preguiça intelectual e outras crendices ou praticas pagãs, de pertença à vida de vadios, a malandragem e ao banditismo. 

As oficinas de capoeira pretendem mover este cenário quando trazem para escola uma contribuição da cultura afro-brasileira. Ação que implica criar no/a jovem uma disposição ou simpatia que o/a tenciona ao encontro de outra perspectiva para relacionar-se com a memória cultural deste povo. Espera-se com as poesias, as letras e as musicas de capoeira, mover todo um campo subjetivo que composto, na escola, por vários elementos que vindos da tradição, impedem um trabalho criativo na sala de aula. Impossibilita que se incluam outras culturas, num exercício da diferença. Faz assim, necessário deslocar tais arranjos que trazem a cultura afrobrasileira agrilhoada a um passado que convém deslocar. 

Logo, o conceito de desterritorialização vem de encontro ao desejo de movimentar novos elementos em prol da utilização de instrumentos culturais na escola para uma reterritorialização da cultura afro-brasileira. A ideia é alterar as consciências dos coletivos que habitam a escola. Agrandar o papel do o/a negro/a na escola, desvinculando-o do caráter submisso quando ganha outras forma ou perfil através da poesia capoeirana. A poesia será por excelência, neste contexto, o elemento provocador de outro território subjetivo no qual a história dá espaço a arte para ser recriada. 

Quer este trabalho inspirar os/as professores/as e os/as estudantes/as a buscarem movimentos ou deslocamentos para elucidação de um pensamento da diferença. Este material tem como objetivo usar a letra-poesia de capoeira como instrumento, ao aportar novos elementos de reterritorialização para re-construção da figura do/a negro/a, refaz os lugares que antes pertenciam a ele na história. Traz para este efeito o método de utilização de oficinas de poesia afro-brasileira. - 7 - 7 Temporariamente concluindo, esse material cria uma estética própria no seu interior, que tenta dar vazão aquilo que problematiza como diferença: a cultura negra! Para alcançar seu ideal utiliza os textos de feitios curtos, ilustrados com figuras e acompanhado do CD: AMADOR. Este último se faz de uma composição musical (faixa1) e de uma recitação de um poema (faixa2). Sendo esta unidade didática mais um movimento na inclusão do negro/a no espaço escolar.

Ver/ler anexos:

Produção Didático Pedagógica , 2010.
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2010/2010_ufpr_hist_pdp_dalton_luiz_gandin.pdf

Video: Por um Axé do CD AMADOR - Faixa 1
https://www.youtube.com/watch?v=s62Yux_uw04

Video: Negro Capoeira - Faixa 2
https://www.youtube.com/watch?v=cVZfCI00y0s

Nenhum comentário:

Postar um comentário

História e poesia afro - brasileira: reterritorialização do/a negro/a no espaço escolar

História e poesia afro - brasileira: reterritorialização do/a negro/a no espaço escolar Este material, intitulado “História e Poesia Afr...